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Tecnologia e Inteligência Artificial: perspectivas e impacto no mercado de trabalho

Discreta, porém cada vez mais presente, a tecnologia de Inteligência Artificial (IA) consiste no uso de máquinas e sistemas que buscam desempenhar alguns serviços e funções exercidos por seres humanos. Nesse cenário, por mais que seja uma tecnologia indiscutivelmente inovadora e que tenha muito a agregar na otimização da vida cotidiana, a ascensão desenfreada da IA gera uma incerteza no mercado de trabalho em um futuro nem tão distante pelo fato de substituir papéis desempenhados por seres humanos.


Sendo assim, a possibilidade da extinção de várias atividades profissionais já é tida como uma realidade e é justamente o que traz à tona o pesquisador referência no tema em questão, o israelense Yuval Noah Harari. Em sua renomada obra, "Homo Deus: uma Breve História do Amanhã", Arari levanta o questionamento a respeito das eventuais consequências de uma revolução no mercado de trabalho: "Trabalhos que são feitos hoje vão desaparecer ou mudar e outros novos vão emergir. Mas não sabemos se os novos serão suficientes e é um problema retreinar pessoas para os novos trabalhos. Se você é caminhoneiro e perde seu emprego para um veículo automático, como uma pessoa de 45 anos se reinventa como professor de ioga ou engenheiro de software? Mesmo que você faça isso, não será uma solução de longo termo". Destarte, nesse cenário hipotético, uma quantidade considerável da população economicamente ativa ficaria desempregada até que se reintegrasse ao mercado de trabalho desempenhando uma nova função. Contudo, o problema reside justamente nesse lapso de tempo entre o desemprego e a reinserção, visto que a duração e os impactos econômicos desse processo são inestimáveis.


Contrariando tal concepção futurística, alguns economistas e pesquisadores sustentam que as previsões a respeito do assunto são fundamentadas em meros “comentários alarmistas”. Complementam que a extinção de alguns empregos será proporcional ao surgimento de novos, sendo esse processo gradual e incapaz de causar danos na economia, pelo contrário, pois acreditam que a fomentação da Inteligência Artificial poderá impulsionar um novo ramo de atividade comercial e se desdobrar em uma nova área de conhecimento especializada.


Concomitantemente, cabe destacar a perspectiva de que as profissões emergentes como fruto de inteligência artificial vivenciarão, em um primeiro momento, a falta de regulamentação e amparo legal por parte da administração pública. Prova disso são os problemas já enfrentados pelos colaboradores dos aplicativos de entrega e de transporte individual (espécie de IA), por exemplo, que fundamentam suas reclamações no desamparo por parte da plataforma e do poder público no que diz respeito às suas garantias individuais como o não recebimento de encargos sociais e trabalhistas, e condições seguras de trabalho - garantias de quem têm reconhecimento de vínculo empregatício.


Em contrapartida, a IA pode promover uma potencial redução do número de acidentes de trabalho, visto que tais aparatos também têm o objetivo de auxiliar ou até mesmo substituir atividades com alto índice de periculosidade. Para ilustrar a situação, o setor de armazéns na união Europeia, em 2015, foi responsável por 16,5% das mortes no ambiente laboral, ocasionadas principalmente por empilhadeiras e plataformas de elevação. Logo, sendo esse um problema iminente, a tecnologia de Sistema Avançado de Assistência ao Motorista (ADAS) vem sendo implementada e já é realidade no auxílio dos operadores em seu campo de visão e na segurança das manobras, o que, certamente, a longo prazo, reduzirá tais estatísticas alarmantes.


A título de conclusão, é evidente que, se for implementada de maneira correta e respeitando os limites das estruturas socioeconômicas, a Inteligência Artificial tem um grande potencial para otimizar a vida cotidiana e aumentar a segurança das pessoas em todos os aspectos. Entretanto, destaca-se, novamente, a necessidade de um processo de implementação devidamente planejado, a fim de que a busca pelo desenvolvimento científico e por ganhos econômicos não se sobressaia em relação ao lado humano da evolução.



Júlio Augusto Mendonça Moreira

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